Publicado por: Elektro | 4 Agosto 2009

Engenharia vs Medicina

Para alguém que, como eu, é licenciado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, o equacionar de um curso em Medicina levanta questões interessantes.

Num primeiro momento, os conhecimentos e competências são distintos. Os métodos de estudo são diametralmente opostos. Na Engenharia todo o ênfase é dado no raciocínio lógico e na aplicação dos conceitos chave. Os conhecimentos servem como base ao raciocínio. O trabalho é tendencialmente frio e rigoroso. A formação reforça as capacidades de trabalho e realização. Por outro lado, na Medicina os conhecimentos são servidos de forma dogmática. Séculos de experiência e de evolução. Milhares de estudos científicos que chegaram a conclusões estatisticamente significativas e que deram origem a protocolos de actuação optimizados. O desafio do aluno é absorver todos estes conhecimentos e actuar respeitando as suas linhas orientadoras, tendo ao mesmo tempo a capacidade de pensar sobre eles e os adequar à realidade, ao momento e ao doente com que se depara. Como se percebe a tarefa é árdua!

O curso de Medicina per si, principalmente nos primeiros anos, exige uma capacidade de assimilação e de evocação bastante desenvolvidas, no entanto, promove o embotamento do raciocínio, apesar de, felizmente, haver algumas vozes que lutam contra este facto. Antes de entrar para Medicina, em 2002, lembro-me de ler um artigo curioso, numa revista generalista, que reportava um estudo em que se avaliava o QI dos alunos à entrada e saída do curso de Medicina e se concluia que o QI diminuia algumas unidades. Desde esse momento, e dando azo ao meu espírito de engenheiro, percebi que devia procurar perceber a Medicina, não apenas aceitá-la como verdade.

Por outro lado, se avaliarmos a missão do médico, esta revela-se muito mais exigente do que a missão do engenheiro com a sua lógica aguçada. Nesta perspectiva a formação do médico é incompleta durante o curso e implica um esforço individual de desenvolvimento muito mais desafiante. Basta pensarmos nas importantes dimensões que esta missão deve abranger: conhecimentos científicos, reconhecimento de padrões, raciocínio lógico, integração de conhecimentos e experiências, comunicação, humanidade.

Sem tirar valor ao engenheiro que há em mim, pelo que referi no parágrafo anterior, formar-me como médico foi um percurso muito mais enriquecedor em termos pessoais.


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