Publicado por: Elektro | 20 Setembro 2010

(d)Eficiência

Crise, Crise e mais Crise. Há meses que esta palavra nos persegue. Os jornais bombardeiam-nos todos os dias com números, factos, endividamentos, taxas de juro, subsídios excessivos, défice, PECs, Orçamento de Estado, finanças e mais finanças embrulhadas na nuvem económica das conjunturas políticas.

Fala-se muito nas medidas de contensão, de controlo da despesa. Na semana passada, proporcionada pela hierarquia, houve reuniões nos Centros de Saúde, sob o tema “combate ao desperdício”. Uma iniciativa interessante, mas bastante supérflua. A Administração Central (ACSS) sugere que não se deixem luzes acesas, se desliguem os computadores de noite, que se racione o papel… Mas… Não é isto que já qualquer um de nós faz normalmente em casa e, por conseguinte, no local de trabalho?! Aparemente a ACSS acha que não e dirige-se aos seus funcionários como esta semana a Ministra da Educação se dirigiu aos estudantes, pais e professores, “como se fossem crianças de 5 anos”.

Se em termos de civilização concordo que somos uma população imatura, o Governo parece passar-nos um atestado de incapacidade com esta atitude. Faz lembrar os pais que falam de forma “acriançada” com os seus filhos, fomentando o aparecimento de problemas de dicção e fala (e quem sabe de maturação) nas suas crias…

No Serviço Nacional de Saúde (SNS), como monstro orçamental público que é, há uma imensidão de locais onde se deve actuar. Um ponto que me é muito próximo é o Internato Médico, ou seja, o período já remunerado em que os jovens médicos exercem a sua profissão e aprendem uma especialidade. É incrível o desperdício de potencial a que o SNS sujeita os médicos nesta fase da carreira. Perdem os internos em experiência prática, perde Portugal em força de trabalho na área da saúde.

Passo a explicar. O SNS não vê os jovens internos como activos do seu quadro de recursos humanos, mas sim como passivos, médicos observadores. Ou seja, alguém em quem está a investir para o futuro e não alguém a quem paga para tirar proveitos no presente. É claro que o interno trabalha, ou melhor, auxilia no trabalho do seu tutor, não só aliviando este da sua execução total, mas também permitindo que ele possa ter mais doentes do que a capacidade normal de um médico. No entanto, em termos formais de funcionamento dos serviços, até ao fim da especialidade, o interno é quase sempre visto como supranumerário. Durante as consultas, nas enfermarias, nos blocos operatórios. Excepção a isto são os Serviços de Urgência onde normalmente os internos entram para a escala em posições específicas.

Apesar desta situação, facilmente encontramos internos cheios de trabalho até à ponta dos cabelos, mas isto normalmente acontece, não porque lhe sejam atribuidas formalmente funções em excesso, mas sim porque, por vezes, os serviços entram em ruptura, por má gestão ou falta de pessoal e, sobre os internos apanhados nesta desorganização, recai então um excesso descontrolado e desorientado de tarefas.

Num Serviço de Saúde eficiente os Internos, não devem existir para preencher buracos, para colmatar desorganizações ou faltas de pessoal. Os Internos devem ter funções, responsabilidades e tarefas bem definidas que lhes são delegadas, devendo ser instruidos, acompanhados e supervisionados pelos seus tutores e outros médicos do serviço onde se encontram.

Só assim, de forma organizada e controlada, poderemos ter um Serviço Nacional de Saúde eficiente e economicamente saudável.


Responses

  1. Bem visto!!!
    Escrito com muita fluência e domínio da palavra.

    Já falas de cátedra…

    Continua, que vais longe também na escrita.

    Beijinhos

  2. zezito para ministro🙂


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